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Alimentação vegetariana para bebês e crianças

É na infância que formamos boa parte dos nossos hábitos, inclusive os hábitos alimentares. A nutrição é essencial para o desenvolvimento e crescimento dos bebês e crianças, e a garantia de uma alimentação saudável é fundamental para a prevenção de doenças e promoção da saúde.

De acordo com os principais órgãos mundiais e nacionais de saúde, a alimentação vegetariana pode ser seguida em todos os ciclos de vida, inclusive na gestação, na lactação e na infância. Além disso, a dieta vegetariana, planejada e nutricionalmente adequada, promove inúmeros benefícios à saúde da criança ao longo da vida. Cada vez mais famílias optam pela alimentação vegetariana ou vegetariana estrita (vegana), e há ainda muitas crianças que escolhem não comer carne por conta própria, fazendo com que os pais aprendam novos valores e um novo estilo de vida.


Para deixar claro: o vegetarianismo tem como característica o não consumo de carne animal, mas ele pode ser classificado como:

  • Ovolactovegetarianos: consomem leite, derivados e ovos;

  • Lactovegetarianos: consomem leite e derivados;

  • Ovovegetarianos: consomem ovos;

  • Vegetarianos estritos: não consomem nada de origem animal na alimentação;

  • Veganos: não consomem nada de origem animal na alimentação, vestuário, cosméticos, entretenimentos etc.

Vale lembrar que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e prolongado até os 2 anos ou mais. Na impossibilidade do aleitamento materno, temos hoje no mercado fórmulas à base de soja e arroz, que atendem à demanda nutricional dos bebês e se adequam à dieta vegetariana, principalmente com restrição do leite de vaca ou estrita/vegana.


A partir dos 6 meses, com a introdução alimentar, vamos apresentar os alimentos sólidos ao bebê. A alimentação, nesse momento, é complementar ao leite materno, até que o bebê aprenda a comer para, então, um dia, a alimentação ser a base e, o leite, o complemento. Portanto, é preciso tempo e paciência.


As formas e métodos como a introdução alimentar é feita são as mesmas para crianças onívoras ou vegetarianas. a recomendação de macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) e micronutrientes (vitaminas e minerais) são as mesmas também, mas no caso de dietas mais restritivas precisamos ter alguns cuidados, e com pequenas dicas que vou passar para vocês aqui, podemos ter sim qualidade nutricional seguindo uma alimentação vegetariana!

É importante salientar que as dicas e orientações propostas são apenas sugestões. Adaptações e mudanças podem e devem ser feitas de acordo com a rotina e condição da criança. E com qualquer dieta ou alimentação, o acompanhamento profissional de uma nutricionista é indispensável!

  • A amamentação deve ser priorizada e mantida em livre demanda e, caso necessário, o uso de fórmula deve ser orientado por um profissional;

  • Oferecer frutas nos lanches intermediários (manhã e tarde);

  • Na ausência das carnes, é fundamental a presença dos grãos, cereais e raízes (arroz, quinoa, milho, batata, macaxeira, inhame) e leguminosas (feijões, grão-de-bico, lentilha, ervilha) nas duas principais refeições - procure variar a oferta;

  • A leguminosas devem ser deixadas de molho de um dia para o outro, a água do molho desprezada e adicionada nova água para o cozimento, eliminando assim os fitatos que causam má digestão e competem com a absorção de alguns nutrientes;

  • Legumes, hortaliças e verduras devem ser oferecidos nas duas principais refeições;

  • Os vegetais que apresentam coloração alaranjada, como cenoura, abóbora e batata-doce devem ser oferecidos três vezes na semana para atingir a necessidade de betacaroteno;

  • Alimentos verde-escuros que são fontes de cálcio, como o agrião, brócolis e couve devem ser oferecidos pelo menos quatro vezes na semana;

  • Após o prato montado, adicione 1 colher de chá de óleo de oliva e 1 colher de chá de linhaça (fontes de ômega 3). O azeite é oferecido para contemplar a alimentação com a quantidade adequada de lipídios (gordura), necessários à nutrição do bebê;

  • Junto à refeição principal, é interessante oferecer uma fruta com maior teor de vitamina C (laranja, acerola, abacaxi, morango, goiaba etc.), pois ela auxilia na absorção do ferro não heme presente nos alimentos vegetais;

No contexto da criança, devido ao crescimento e a características alimentares específicas dos pais, alguns nutrientes podem receber maior atenção. Todos os cuidados com a suplementação de vegetariano são iguais aos de onívoros. O único nutriente que deve ser incorporado às prescrições é a vitamina B12 na dieta vegetariana estrita, tendo em vista que as fontes alimentares seguras dessa vitamina são as carnes, ovos e laticínios. É preconizada a suplementação de vitamina B12 para todas as crianças vegetarianas, independente da opção pelo uso de ovos ou laticínios como forma de prevenção!


Não há nenhuma necessidade das crianças vegetarianas serem submetidas a consultas médicas ou exames laboratoriais mais frequentes do que é recomendado a crianças onívoras. A adoção da dieta vegetariana não é um fator de risco para deficiência de ferro, e a recomendação de suplementação preconizada pela Organização Mundial da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria deve ser mantida e orientada pelo pediatra ou nutricionista.


A introdução alimentar para o bebê vegetariano é mais simples do que parece e muito saudável. Todos os nutrientes estão presentes, tornando essa alimentação bastante segura para os bebês atingirem pleno desenvolvimento. Procure sempre a ajuda de profissionais especializados e capacitados, assim você terá mais segurança de que seu filho está tendo uma alimentação saudável e equilibrada!


Renata Greco

Nutricionista Materno-infantil