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Mitos e verdades sobre a saúde da gestante

Março é o mês da mulher e hoje eu trouxe para você um conteúdo incrível e repleto de dicas e informações nutricionais para uma das fases mais transformadoras de uma mulher, a gestação!


Junto à descoberta de uma gravidez, a mãe pode apresentar preocupações e dúvidas sobre cuidados com esta nova fase. Muitos desses medos estão relacionados à alimentação, aos hábitos de vida, às culturas, às crendices populares, ao ganho de peso e às suplementações.


Lembre sempre que gestação é sinônimo de saúde, mas pode ser ligada à predisposição de algumas patologias, como alteração da pressão arterial, resistência insulínica (diabetes gestacional), sobrepeso, retenção de líquido, alterações no sistema gastro intestinal, entre outras, e o acompanhamento com o obstetra e a nutricionista materno-infantil durante o pré-natal é imprescindível para a prevenção destas situações.


Para uma gestação saudável é importante manter uma alimentação equilibrada em carboidratos, proteínas e gorduras de boa qualidade, rica em vitaminas, minerais e fibras e hidratação desde a preparação e concepção até o pós-parto. Para isso, procure o consumo variado de frutas, verduras, legumes, raízes, grãos, leguminosas, proteínas e tenha sempre por perto copo ou garrafinha de água!


DICA: existem aplicativos de celular gratuitos que te lembram de beber água durante o dia para aquelas mulheres que não tem o costume ou esquecem da ingestão de líquidos.

Nas consultas de rotina são avaliadas carências ou deficiências de nutrientes, vitaminas e minerais e, quando necessário, devem ser feitas suplementações individualizadas para cada mulher e caso. Cada fase da gestação requer cuidados e necessidades específicas, por isso, siga sempre as recomendações de sua nutricionista materno-infantil.


A atividade física deve estar presente desde a liberação do obstetra até o final da gestação e sempre orientada por um profissional capacitado. A prática de exercícios regulares é um grande aliado, junto à nutrição, em prol da saúde e do controle de ganho de peso da gestante.

Cuide também da qualidade e tempo do seu sono. Não consuma alimentos pesados e de difícil digestão após às 18h, evite deitar logo após as refeições, respeite o consumo máximo de cafeína (3 xícaras pequenas de café) por dia e, se necessário, substitua o café tradicional por descafeinado. Durante o sono nossos músculos relaxam, nosso corpo descansa, mas também trabalha na produção de importantes hormônios relacionados à saúde da mãe e do bebê!


Vamos aos mitos e verdades?


Grávida precisa comer por dois?


Mito! Durante a gestação, há um aumento das necessidades de nutrientes e energia, mas esse aumento é pequeno, e vai variar de acordo com o trimestre. O consumo de alimentos maior do que o recomendado, pode fazer com que a gestante ganhe peso excessivamente, aumentando o risco de diabetes gestacional e aumento da pressão arterial, que trazem prejuízo para a saúde da mãe e do bebê.



Gestante não deve fazer dietas restritivas!


Verdade! A gestação é um momento especial, no qual a alimentação deve atender às recomendações de energia e de nutrientes tanto para a mãe quanto para o bebê. Ao fazer dietas restritivas, é possível não ganhar o peso mínimo recomendado na gestação. Além disso, pode desenvolver carências nutricionais, e trazer riscos à saúde da mãe e do bebê que está em desenvolvimento.


A alimentação da mãe durante a gestação pode influenciar na saúde do filho/a ao longo da vida?


Verdade! O hábito alimentar inadequado da gestante pode trazer riscos, não apenas durante a própria gestação, mas também durante a vida do seu filho que está se desenvolvendo. Esse processo é conhecido como “programação metabólica”. Isso quer dizer que, durante essas fases, diversos órgãos e tecidos podem sofrer influência de fatores externos, e a alimentação materna é considerada um deles. Estudos mostraram que mães que consomem dietas aumentadas em calorias, gorduras e açúcares, por exemplo, geram filhos com maior risco de desenvolver obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares e não só na infância, mas principalmente na vida adulta.


Grávidas não podem tomar chá?


Mito! Gestantes podem tomar chás, mas é preciso cuidado na escolha! A maioria das plantas utilizadas para chás não apresentam estudos e evidências científicas que mostrem para nós a segurança ou risco do consumo pela mãe e no desenvolvimento de bebê. Dê preferência aos chá calmantes, como camomila, alfazema, erva-cidreira e erva-doce, ou chás de frutas, como limão, maracujá, maçã, frutas vermelhas etc. Evite chás diuréticos e/ou estimulantes que possam causar efeitos colaterais, como insônia, taquicardia, mal-estar, desidratação, desconfortos gastrointestinais, entre outros.


Gestantes não devem consumir leite de vaca ou derivados, pois fazem mal para o bebê!


Mito! Gestantes podem, sim, consumir lácteos, que são excelentes fontes de proteína e cálcio, sem prejudicar a saúde do bebê. Os lácteos só devem ser retirados da dieta de mães que apresentem intolerância à lactose (troca por produtos sem lactose) ou alergia à proteína do leite de vaca.


O consumo de café na gestação deve ser feito com cuidado?


Verdade! O café não é contraindicado na gravidez, mas seu consumo deve ser limitado, por causa da função da cafeína, substância que, quando consumida em excesso, traz riscos para a saúde do bebê. Por isso, o consumo de café deve ser restrito a 300ml ao dia (o que equivale aproximadamente a 200mg de cafeína). Ou seja, não é recomendado tomar acima de 2 a 3 xícaras de cafezinho por dia. Atenção ao consumo de outros alimentos ricos em cafeína, como chá-mate, chá preto, guaraná, achocolatados, energéticos e refrigerantes à base de cola.


Beber uma taça de vinho ou uma cerveja por dia não faz mal ao bebê.


Mito! O consumo de bebidas alcoólicas na gestação é contraindicado. Já se sabe que o álcool é transferido para o bebê pela placenta e pode provocar sérios danos ao seu desenvolvimento, como malformação, microcefalia, prejuízo ao crescimento entre outras anormalidades. Este fenômeno é conhecido como síndrome fetal alcoólica. Não existe uma quantidade segura de consumo de álcool para as gestantes.


Espero que tenha gostado das dicas e informações de hoje! Não cultive medos ou inseguranças relacionadas à falta de informações sobre sua saúde e de seu bebê, consulte e siga sempre as orientações de sua nutricionista materno-infantil!


Renata Chimenti Del Greco

Nutricionista materno-infantil